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Uma Graça muito cara

Posted on 7 fevereiro 20267 fevereiro 2026 By admin Nenhum comentário em Uma Graça muito cara

Neste domingo, seremos chamados a meditar sobre uma das passagens mais conhecidas e também mais mal compreendidas do Evangelho. Estamos falando da passagem da mulher adúltera, registrada em João 8:1-11. Em diversas interpretações seculares, essa história seria apresentada como prova de como Jesus se absteve de qualquer julgamento moral, qualquer avaliação do bem e do mal, deixando para a consciência individual a tarefa de determinar o que é bom e o que é mau. De fato, até mesmo sua despedida final da mulher revela como sua atitude deriva de uma clara consciência do bem e do mal.

Na verdade, a atitude misericordiosa de Jesus carrega consigo uma crítica radical e profunda aos excessos aos quais todas as leis humanas estão sujeitas, especialmente as morais e religiosas. De fato, todas as leis têm um “mestre”, no sentido de que são elaboradas por aqueles que têm o poder de criá-las ou a autoridade para aplicá-las. Por essa razão, os autores e executores das leis tendem a aplicá-las a “outros” que não a si mesmos e ao seu próprio grupo de poder. Para ir mais longe, bastaria analisar a narrativa de poder em relação aos confrontos ocorridos em Turim nos últimos dias. Os únicos culpados são os jovens que massacraram o policial. Mas o que gerou esse último conflito social foi desajeitadamente ocultado pela grande mídia.

Em nosso caso, como em muitas outras culturas, a estrutura patriarcal e chauvinista da sociedade garantiu a proteção dos homens diante desses incidentes morais.

A escolha de Jesus de não condenar a mulher ao apedrejamento parece ser a única escolha correta naquela situação, mesmo que exponha a hipocrisia e a injustiça de toda uma estrutura social e religiosa.

Além disso, como frequentemente acontece em todas as situações injustas, o elo mais fraco da corrente atua como bode expiatório, sobre quem toda a culpa é colocada, livrando o resto da sociedade de reconhecer suas próprias responsabilidades.

Para combater essa natureza vingativa e expiatória, Jesus, à frente de seu tempo, nos convida a cultivar a natureza pedagógica das leis. O que lhe interessa é que os errantes reconheçam a natureza ilusória do mal e redescubram um desejo fortalecido pelo que é bom e justo.

Embora tudo isso possa ser belo e edificante de se pensar e ler, não o é em situações concretas, onde os seres humanos se encontram buscando o bem e vencendo o mal. Nesse caso também, como em outros no Evangelho, esses executores da sentença e seus agentes desistem de suas intenções, mas podemos imaginar os sentimentos que tinham em seus corações pela vergonha que sofreram.

A partir desse exemplo, compreendemos melhor o significado das palavras de Simeão a Maria durante a apresentação no Templo: “Eis que este menino está destinado à queda e ao soerguimento de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição; e uma espada traspassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações” (Lucas 2:35). O Evangelho é sempre, simultaneamente, proclamação e denúncia, dependendo de como o abordamos. Mas essa ambivalência tem atuado como um rio cárstico, alimentando o ressentimento e a sede de vingança contra esse Mestre presunçoso e arrogante, que se diz o Senhor do bem e do mal.

Ao folhearmos o capítulo 8, percebemos imediatamente que Jesus, ao se apresentar como a Luz do mundo, desencadeia mais uma contenda. A crucificação, que contemplaremos em algumas semanas, será meramente o culminar natural de uma rejeição e um ressentimento que foram alimentados por muito tempo.

Bem, Jesus, ao se aliar àquela mulher e a inúmeras outras vítimas da injustiça, também aceita consciente e livremente a violência que o removerá deste mundo. Nesse sentido, e somente nesse sentido, “Jesus foi livremente ao encontro da sua Paixão”, como recitamos diariamente na Oração Eucarística. O que é muito diferente e totalmente diferente de sua suposta vontade de sofrer e morrer na cruz. Sua única e irredutível vontade era proclamar e viver o Reino de Deus, onde a Vida reina em abundância para cada filho e filha de Deus.

Tudo o mais, inclusive a morte física, é relativo e não tem poder sobre Ele.

E nós?

Pe Marcos.

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In memoria di Asia Ramazan Antar
Fonte: Wikipedia

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