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Caminhando com Padre Marco

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Obrigado, Vannacci!

Posted on 20 junho 202620 junho 2026 By admin Nenhum comentário em Obrigado, Vannacci!

Sim, você já deve ter adivinhado, que este título é fortemente irônico e sarcástico. Mas, infelizmente, não é falso, pois esse pensamento me ocorreu ultimamente. Sim, porque, apesar da hipocrisia de muitos, o general diz abertamente o que pensa. O fato dele poder defender certas teses, sem ser incriminado, se deve a que ele, na verdade, reflete a opinião da maioria dos italianos. Infelizmente, essa visão da realidade é frequentemente disfarçada com ideais nobres, leis impecáveis ??e argumentos politicamente corretos, para que possa repercutir em todos os canais de comunicação de massa.

É assim que as narrativas são construídas, essas representações distorcidas da realidade, que, no entanto, ficam impressas nos corações e nas mentes, especialmente daqueles com pouco contato com a vida social e cultural.

Mas minha gratidão também surgiu ao pensar nessa minoria da população, sinceramente convencida da natureza racista e imoral de suas declarações. Então, pensando nessas pessoas, minha esperança é que a simplificação e a brutalidade desse homem possam inspirar uma onda de humanidade e sacrifício, para se envolver, para reagir a essa deriva, que só pode nos levar a novas e maiores tragédias.

Qualquer pessoa, que tenha lido algum estudo respeitável sobre os grandes genocídios da história, não pode deixar de redescobrir hoje, mutatis mutandis, aquele sono da razão e, sobretudo, do coração, que preparou todas aquelas grandes tragédias.

E, no entanto, aqueles que são sinceramente inspirados por valores como a dignidade humana, a igualdade de todos os seres humanos, a fraternidade universal, etc., continuam a se comportar como se ainda estivéssemos dentro do normal jogo democrático. Por essa razão, buscamos abandonar ao esquecimento e silenciar aqueles que estão claramente fora dos valores democráticos. Essa política de silêncio é, na verdade, muitas vezes resultado de preguiça, porque não queremos sustentar debates, tanto privados quanto públicos, que são frequentemente dialéticos e conflituosos.

O resultado de tudo isso é que uma única narrativa ressoa em nossas cidades e em nossas redes sociais. Depois disso, não adianta ficar escandalizado, se até a senhora idosa de Laorca, que não sai à noite, nem pega trem há décadas, está firmemente convencida de que a cidade está sendo devastada pelos maranzas, que os muçulmanos estão todos organizados em batalhões conquistando a Europa e que suas esposas estão parrindo filhos, para ter acesso às moradias populares e para ocupar nossos territórios. Tudo isso, repito, sem nunca ter tido qualquer experiência direta com nada disso.

Um exemplo, entre muitos, de quão malsucedida seja a política do silêncio, foi a recente campanha eleitoral em Lecco. Ninguém, nem mesmo aqueles que trabalham diariamente de forma positiva com os milhares de migrantes da cidade, teve a coragem de testemunhar esse bem já presente e trazê-lo para o debate eleitoral. Em outras palavras, ninguém teve a coragem de incluir a situação dos migrantes em sua campanha eleitoral, de enfatizar que eles também contribuem para o desenvolvimento desta cidade. Quando apontei essa deficiência após o término da campanha, a objeção levantada foi a mesma de sempre: “Bem, padre, falar desses assuntos, significa perder votos e eleições!” Talvez, mas não creio que o silêncio tenha trazido grandes vitórias em Lecco, ou em qualquer outro lugar… Prefiro me ater à sabedoria dos meus camponeses brasileiros, que diziam que “quem vive com medo, morre duas vezes”.

Feitas essas considerações gerais e transversais, vale a pena refletir brevemente sobre o papel e as responsabilidades da nossa Igreja nesse cenário alarmante. E gostaria de extrair essas considerações de uma reunião dos agentes da Caritas da Zona III, a província de Lecco. A reunião previa uma atualização sobre as novas diretrizes europeias em matéria de imigração. Uma advogada talentosa da ASGI tentou traduzir para nossa plateia seleta, porém não especializada, mais um monstro jurídico. Repleto de palavras bonitas e princípios democráticos, o documento visa, na verdade, negar e rejeitar aqueles que tentam entrar na Europa por qualquer meio, visto que apenas algumas classes sociais privilegiadas têm permissão legal para entrar.

Após mais de uma hora de apresentação, à medida que as primeiras perguntas surgiam, o panorama geral, em vez de se esclarecer, tornou-se cada vez mais confuso, levando a situações de total desespero e paroxismo. Mais de uma participante, movida apenas pelo desejo de ajudar os migrantes pobres, desesperada disse: “Mas nessas condições, como podemos ajudar nossos usuários? O que lhes dizemos? O que podemos fazer por eles, dentro desse labirinto de palavras e regras que visam dificultar ao máximo o acesso à Europa?”.

Mas o ponto mais interessante, sobre o qual também comentei algumas vezes, foi quando analisamos e reconhecemos coletivamente, que essas leis são em grande parte injustas e imorais sob várias perspectivas, não apenas a evangélica. Então, o que devemos fazer quando confrontados com uma lei estatal injusta e discriminatória? Diante dessa evidência, enquanto uma minoria continuava a reafirmar a obediência à lei, a maioria mais dinâmica da assembleia não sabia o que dizer, a não ser repetir que tudo isso é profundamente injusto e imoral.

Observando essa cena, lembrei-me de Jesus, que, contemplando as multidões, “teve compaixão delas, porque eram como ovelhas sem pastor…”. De fato, se elas ouvissem o Evangelho proclamado em sua genuína radicalidade, estariam menos perdidas e impotentes diante desse cenário. Então, a Providência quis que os Evangelhos de segunda e terça-feira desta semana (Lucas 6:1-5 e Lucas 6:6-11) apresentassem Jesus como um transgressor da Lei, para beneficiar seus interlocutores.

Quem sabe se, em algum misterioso plano da Providência, Vannacci e companhia também apareceram, para nos ajudar a meditar melhor sobre aquele Evangelho, no qual, ao menos em palavras, afirmamos crer…

                                                                                   Pe. Marcos

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